quinta-feira, 31 de março de 2011

Terremoto no Japão é considerado o sétimo mais intenso da história

TÓQUIO - O ministério da Defesa do Japão informou nesta sexta-feira, 11, que o terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o nordeste do país nesta madrugada deve ter deixado mais de mil mortos. Segundo a agência Kyodo, a cidade de Sendai, com 1 milhão de habitantes, foi a mais afetada pelo tremor, sentido em diversos pontos do país.
Apenas na cidade de Minamisoma, no distrito de Fukushima, 1,8 mil casas foram destruídas.Balanço da polícia contabiliza 384 mortos, 947 feridos e 707 desaparecidos. Em Sendai, ao menos 200 mortos foram encontrados afogados após o tsunami.
O governo japonês declarou estado de emergência na usina nuclear de Fukushima e outras três centrais atômicas foram fechadas. Ao menos 2 mil pessoas foram retiradas de áreas próximas após as autoridades não terem conseguido resfriar o combustível nuclear. Segundo os oficiais responsáveis, no entando, não há vazamento radioativo, e a situação já está sob controle.
Fábricas e refinarias foram fechadas e milhões de pessoas estão sem energia elétrica. Há cerca de 80 incêndios provocados pelo terremoto, um deles em uma refinaria. O aeroporto de Narita, o maior do país, chegou a ser fechado, mas já foi reaberto. O tremor também paralisou em todo o país os serviços do "shinkansen", o trem-bala japonês, segundo a companhia ferroviária JR East. Um trem com passageiros desapareceu na área afetada pelo tremor.
Apesar de ter ocorrido a quase 400 quilômetros de distância de Tóquio, o tremor também foi sentido na capital, onde 4 milhões de casas e prédios ficaram sem energia elétrica. O serviço telefônico também foi cortado em boa parte do país. Um dique se rompeu em Fukushima e o volume e a força da água devastaram as construções da região, segundo a imprensa japonesa.
O primeiro-ministro Naoto Kan disse a políticos que eles precisam "salvar o país" após o desastre. "O terremoto causou diversos danos em vastas áreas do norte do Japão", afirmou. Cerca de 8 mil militares foram enviados pelo governo à região afetada. De acordo com o Ministro de Exteriores, Takeaki Matsumoto, afirmou que o Executivo do país pediu ajuda aos EUA para que enviem seu efetivo no país para a área do sismo.
Foi o maior terremoto no Japão desde que começaram a ser registrados, há 140 anos e o sétimo pior da história. O tremor principal aconteceu às 2h46 de Brasília, com epicentro a 130 quilômetros de Sendal, na ilha de Honshu, e com profundidade de 24,4 quilômetros, na mesma região onde há dois dias ocorreu um terremoto de 7,3 graus que não deixou vítimas.
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta quinta-feira, 31/3/2011, que o complexo nuclear de Fukushima Daichi deve ser desativado. O anúncio foi feito pelo secretário do Partido Comunista japonês, Kazuo Shii, após uma reunião com Kan, segundo a agência Kyodo.
A Tokyo Electric Power (Tepco), empresa que administra a usina, já havia indicado na última quarta-feira, 30, que poderia fechar os quatro principais reatores (1, 2, 3 e 4) de Fukushima.
Segundo a Tepco, o fechamento dos reatores é inevitável devido os graves danos sofridos após o terremoto do dia 11 de março. Essa operação, no entanto, aconteceria apenas após a finalização dos trabalhos de resfriamento dos reatores, o que pode levar meses.
Naoto Kan disse também que pode rever os planos que preveem a construção de mais 14 usinas nucleares até 2030.
O temor de contaminação pela radiação ainda é muito grande no local. Os níveis de radiação registrados na água do mar de Fukushima continuam em elevação e atingiram, segundo as medições desta quinta-feira, o recorde de 4.385 vezes o limite legal.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou ontem que a radiação medida em Iitate, a 40 km da central de Fukushima, superam os níveis recomendados. O local está fora da zona de exclusão atualmente em vigor, que compreende um raio de 20km.

Segundo informações do programa de ameaça de terremotos da agência geológica americana (USGS, na sigla em inglês), o mais forte terremoto da história ocorreu em 22 de maio de 1960, em Valdívia (Chile), com magnitude 9,5.
Este tremor matou 2 mil pessoas e gerou um maremoto com ondas de até 10 metros. As ondas apagaram do mapa cidades inteiras na costa chilena e fizeram vítimas também em outros países banhados pelo Oceano Pacífico.
O segundo maior terremoto já registrado ocorreu no Alasca (EUA), em 27 de março 1964: um abalo de magnitude 9,2 fez 15 vítimas fatais e gerou um tsunami que matou outras 128 pessoas. Seu epicentro foi na região de Prince William Sound, no sul do Alasca.
A ilha de Sumatra, na Indonésia, registrou em 26 de dezembro de 2004 um terremoto de magnitude 9,1, causando um tsunami que matou 230 mil pessoas em 14 países da região. O tremor ocorreu a 30 quilômetros de profundidade no Oceano Índico.
Em 4 de novembro de 1952, um abalo de magnitude 9,0 na península de Kamchatka, extremo oeste da Rússia, gerou ondas gigantes que chegaram até o Havaí, causando prejuízos financeiros de até US$ 1 milhão, mas nenhuma vítima fatal.
Também de magnitude 9,0, dois grandes terremotos abalaram a região de Arica, fronteira entre Peru e Chile, em 13 de agosto de 1868. Diversas cidades foram afetadas pelas ondas causadas pelo tremor, que vitimou cerca de 25 mil pessoas.
Outro terremoto de magnitude 9,0 ocorreu em 26 de janeiro de 1700 em uma região de cerca de 1.000 km na costa noroeste da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. O tsunami que se seguiu chegou até o Japão. Não há estimativa de vítimas.
Em sétimo lugar, fica o tremor de magnitude 8,8 (segundo medição da Agência Meteorológica do Japão) que atingiu o Japão por volta das 15h (horário local) de 11 de março de 2011. O epicentro foi na costa próxima à província de Miyagi, a 373 km de Tóquio.
Dois terremotos na história tiveram medida uma magnitude de 8,8. Um ocorreu no Chile, em 27 de fevereiro de 2010, matando mais de 800 pessoas e deixando cerca de 20mil desabrigados. O epicentro foi a região de Bío-Bío, a cerca de 320 km ao sul de Santiago.
O outro atingiu a costa entre o Equador e a Colômbia em 31 de janeiro de 1906, matando entre 500 e 1,5 mil pessoas. O tremor chegou a ser sentido em San Francisco (EUA) e no Japão.
Três terremotos já foram registrados com magnitude 8,7: Em 1º de novembro de 1755, um tremor de magnitude 8,7 destruiu Lisboa, matando cerca de 70 mil pessoas.
Já em 4 de fevereiro de 1965, um tremor também de magnitude 8,7 atingiu as ilhas Rat, no Alasca (EUA), gerando um tsunami de cerca de 10 metros de altura na ilha de Shemya. Apesar disto, o abalo causou poucos danos.
Em 8 de julho de 1730, um terremoto de igual magnitude atingiu Valparaíso (Chile), gerando um tsunami e causando danos em diversas cidades da costa, mas causando poucas mortes.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional

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